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Realidade Nua e Crua

  • Letícia Batista Rocha
  • 23 de nov. de 2022
  • 2 min de leitura


Desde pequena a sociedade me fez acreditar que posso ser de tudo: astronauta, médica, professora, engenheira, policial, entre inúmeras outras profissões que posso sonhar. Tudo que consigo imaginar. Mas, fui crescendo e percebendo que era tudo uma ilusão construída por eles. Tola de acreditar nessa falsa verdade, inocente diante da realidade.


Isso tornou-se um novo ciclo da minha realidade. Perguntam o que pretendo ser, quem desejo ser. E, a resposta é sempre a mesma coisa. “Uma engenheira”. Dizia com todo o orgulho de alguém que sonha de forma genuína. E, como todas as outras situações, o olhar sempre era o mesmo, poucos olhavam com aprovação. Na maior parte das vezes, sempre protestavam sobre a ideia, falando que aquele não é o meu lugar, que deveria fazer algo que combine mais comigo. “Algo mais feminino”. E, assim, tudo passou da água para o vinho e a realidade nua e crua atingiu-me por completo.



Agora, olho ao redor e vejo a maneira como observam-me, trazendo um sentimento devastador, como se aquele não fosse realmente o meu lugar. Entretanto, se aqui não é meu lugar, onde mais seria? E, de pouco em pouco, a alegria de ser quem sempre sonhei vai sumindo, assim como outras sonhadoras que compartilham do mesmo sentimento. A única coisa que me resta é o sentimento de exclusão e as dúvidas pairando na mente: “Por que eles podem, mas a gente não? Desde quando o nosso gênero define os nossos sonhos?”. A verdade é que as coisas não deveriam ser assim, todos deveriam ser quem desejam ser, independente de quem são.


Afinal, sempre preferi brincar com os números do que com as palavras, pensar fora da caixinha. O mundo teme a mudança, de viver algo diferente do passado, preferindo viver dentro da caixa. Mas, todos possuem o direito de ser quem quiser, dos padrões impostos pela sociedade. Essa deveria ser a realidade, então, por que continuar dançando conforme a música sendo que posso mudar o ritmo de tudo?




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